Olá!
Hoje começarei a primeira série de posts do blog: Cidades que Pensam. Os próximos posts apresentarão um conjunto de cidades no mundo que foram capazes de repensar seu funcionamento e se reorganizar, inaugurando uma nova forma de se fazer urbanismo. Muitas delas precisaram ter a oportunidade de sediar grandes eventos internacionais para se reinventar, mas mesmo elas têm o seu mérito pois souberam aproveitar uma oportunidade de modo proveitoso, qualidade que apenas as melhores organizações humanas possuem.
Começo essa série, portanto, com uma bela e estimulante cidade: Barcelona, a cidade espanhola reconhecida pelo seu alto astral e alto potencial criativo, que emana naturalmente nas ruas e pelo povo. Discute-se aqui, por exemplo, como Barcelona aproveitou a chance de sediar as Olimpíadas de 1992 para se reinventar e recuperar toda sua vocação artística.
“Os Jogos Olímpicos de 1992, realizados em Barcelona, renderam muito mais que medalhas. Segundo a reportagem publicada no jornal O Globo, em 27 de agosto de 2008, o Modelo Barcelona, projeto implementado para o evento, mudou a cara da capital catalã. Espaços públicos foram reurbanizados, infra-estruturas abandonadas ou degradadas foram tratadas e a área litorânea foi recuperada. (GUILAYIN, 2008)
O evento esportivo, de porte internacional, demandou alguns projetos urbanos ousados, como a construção de 35 quilômetros de galerias subterrâneas para água, luz, gás, telefone, TV e fibra ótica e as “rondas” (via em dois níveis de 40 quilômetros que circula por toda a cidade, com capacidade para 20 mil carros por dia. Além disso, o aeroporto, completamente reformulado, foi ligado ao centro da cidade por uma moderna autopista. As ruas e os prédios de Barcelona também foram alvo de projetos de restauração e revitalização. A Vila Olímpica, após os jogos, deu lugar a um moderno conjunto de residências, lojas e escritórios. (GUILAYN, 2008)
Os resultados, principalmente relacionados ao urbanismo, fizeram com que o mundo comprasse a nova imagem de dinamismo da cidade, que ficou consagrada como ícone de modernidade e tolerância, além de ter uma essência eminentemente cultural. Desse modo, Barcelona entrou no mercado turístico de massa, passando a receber sete milhões de turistas por ano. (GUILAYN, 2008)
Outro fator que corroborou para o sucesso foi a paixão que os habitantes da cidade mostraram para com os Jogos Olímpicos, o que surpreendeu os visitantes. À medida que o evento se aproximava, o otimismo da população aumentava. A seis meses para o início dos Jogos, 87% de todos os catalães de Barcelona acreditavam que a cidade se sairia bem durante a Olimpíada. As autoridades envolvidas receberam as maiores avaliações dos líderes mundiais. E, além de tudo, os turistas que estiveram na cidade nesse período deram uma alta avaliação para os Jogos e para os eventos, atmosfera, instalações e sinalização. Isso gerou comentários positivos sobre a cidade no mundo inteiro, durante vários dos anos seguintes. (PRONI; ARAUJO; AMORIM, 2008)
O bom êxito do projeto e o sucesso dos Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona são explicados basicamente por três fatores: a) pela ambiciosa meta estabelecida, ligada à completa transformação da cidade; b) pela estratégia de financiamento e organização; c) na capacidade de Barcelona em responder aos estímulos gerados e atrair investimentos. Os Jogos Olímpicos, portanto, funcionaram como catalisadores da mudança urbana da cidade, além de impactos como aumento do emprego e aquecimento do setor imobiliário e de construções. A nomeação de Barcelona como sede do evento foi apenas uma faísca para a aplicação de um plano anteriormente estruturado. (PRONI; ARAUJO; AMORIM, 2008)
Para concluir, segue abaixo a conclusão de Proni, Araújo e Amorim (2008, p. 25) sobre a experiência olímpica em Barcelona:
“Em suma, Barcelona demonstrou não só que os Jogos podiam dar lucro para os organizadores, mas que podiam ser utilizados como um catalisador para o crescimento econômico e para a modernização urbana, legitimando investimentos que podem beneficiar o conjunto da população. Além disso, pela natureza dos Jogos Olímpicos, Barcelona conseguiu apagar a falsa imagem de uma cidade provinciana, isolada pelas idiossincrasias da Catalunha, tendo sido capaz de se afirmar diante da opinião pública internacional, assumindo a imagem muito positiva de uma metrópole cosmopolita, contemporânea, aberta à interação de diferentes culturas. E isto não apenas ampliou sua força de atração sobre as grandes empresas (como centro de negócios) como impulsionou seu desenvolvimento no campo do turismo internacional.”"
Trecho retirado de trabalho de conclusão de curso de Rafael Gonçalves de Castro apresentado em dezembro de 2008 como requisito da obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social na Universidade de Brasília.
Para complementar as informações, assista o vídeo a seguir (em espanhol):

