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Série “Cidades que Pensam”

Olá!

Hoje começarei a primeira série de posts do blog: Cidades que Pensam. Os próximos posts apresentarão um conjunto de cidades no mundo que foram capazes de repensar seu funcionamento e se reorganizar, inaugurando uma nova forma de se fazer urbanismo. Muitas delas precisaram ter a oportunidade de sediar grandes eventos internacionais para se reinventar, mas mesmo elas têm o seu mérito pois souberam aproveitar uma oportunidade de modo proveitoso, qualidade que apenas as melhores organizações humanas possuem.

Começo essa série, portanto, com uma bela e estimulante cidade: Barcelona, a cidade espanhola reconhecida pelo seu alto astral e alto potencial criativo, que emana naturalmente nas ruas e pelo povo. Discute-se aqui, por exemplo, como Barcelona aproveitou a chance de sediar as Olimpíadas de 1992 para se reinventar e recuperar toda sua vocação artística.

A Nova Barcelona

“Os Jogos Olímpicos de 1992, realizados em Barcelona, renderam muito mais que medalhas. Segundo a reportagem publicada no jornal O Globo, em 27 de agosto de 2008, o Modelo Barcelona, projeto implementado para o evento, mudou a cara da capital catalã. Espaços públicos foram reurbanizados, infra-estruturas abandonadas ou degradadas foram tratadas e a área litorânea foi recuperada. (GUILAYIN, 2008)

O evento esportivo, de porte internacional, demandou alguns projetos urbanos ousados, como a construção de 35 quilômetros de galerias subterrâneas para água, luz, gás, telefone, TV e fibra ótica e as “rondas” (via em dois níveis de 40 quilômetros que circula por toda a cidade, com capacidade para 20 mil carros por dia. Além disso, o aeroporto, completamente reformulado, foi ligado ao centro da cidade por uma moderna autopista. As ruas e os prédios de Barcelona também foram alvo de projetos de restauração e revitalização. A Vila Olímpica, após os jogos, deu lugar a um moderno conjunto de residências, lojas e escritórios. (GUILAYN, 2008)

Os resultados, principalmente relacionados ao urbanismo, fizeram com que o mundo comprasse a nova imagem de dinamismo da cidade, que ficou consagrada como ícone de modernidade e tolerância, além de ter uma essência eminentemente cultural. Desse modo, Barcelona entrou no mercado turístico de massa, passando a receber sete milhões de turistas por ano. (GUILAYN, 2008)

Outro fator que corroborou para o sucesso foi a paixão que os habitantes da cidade mostraram para com os Jogos Olímpicos, o que surpreendeu os visitantes. À medida que o evento se aproximava, o otimismo da população aumentava. A seis meses para o início dos Jogos, 87% de todos os catalães de Barcelona acreditavam que a cidade se sairia bem durante a Olimpíada. As autoridades envolvidas receberam as maiores avaliações dos líderes mundiais. E, além de tudo, os turistas que estiveram na cidade nesse período deram uma alta avaliação para os Jogos e para os eventos, atmosfera, instalações e sinalização. Isso gerou comentários positivos sobre a cidade no mundo inteiro, durante vários dos anos seguintes. (PRONI; ARAUJO; AMORIM, 2008)

O bom êxito do projeto e o sucesso dos Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona são explicados basicamente por três fatores: a) pela ambiciosa meta estabelecida, ligada à completa transformação da cidade; b) pela estratégia de financiamento e organização; c) na capacidade de Barcelona em responder aos estímulos gerados e atrair investimentos. Os Jogos Olímpicos, portanto, funcionaram como catalisadores da mudança urbana da cidade, além de impactos como aumento do emprego e aquecimento do setor imobiliário e de construções. A nomeação de Barcelona como sede do evento foi apenas uma faísca para a aplicação de um plano anteriormente estruturado. (PRONI; ARAUJO; AMORIM, 2008)

Para concluir, segue abaixo a conclusão de Proni, Araújo e Amorim (2008, p. 25) sobre a experiência olímpica em Barcelona:

“Em suma, Barcelona demonstrou não só que os Jogos podiam dar lucro para os organizadores, mas que podiam ser utilizados como um catalisador para o crescimento econômico e para a modernização urbana, legitimando investimentos que podem beneficiar o conjunto da população. Além disso, pela natureza dos Jogos Olímpicos, Barcelona conseguiu apagar a falsa imagem de uma cidade provinciana, isolada pelas idiossincrasias da Catalunha, tendo sido capaz de se afirmar diante da opinião pública internacional, assumindo a imagem muito positiva de uma metrópole cosmopolita, contemporânea, aberta à interação de diferentes culturas. E isto não apenas ampliou sua força de atração sobre as grandes empresas (como centro de negócios) como impulsionou seu desenvolvimento no campo do turismo internacional.”"

Trecho retirado de trabalho de conclusão de curso de Rafael Gonçalves de Castro apresentado em dezembro de 2008 como requisito da obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social na Universidade de Brasília.

Para complementar as informações, assista o vídeo a seguir (em espanhol):

Chegou a hora de apresentar o conceito-chave deste blog, o Marketing Sócio-Criativo, que conduzirá todas as próximas discussões.

Nesse conceito, defino marketing em uma lógica invertida do conceito clássico. Sob a perspectiva sócio-criativa, entende-se que o Marketing pode e deve trabalhar para a sociedade, para a cultura e para a criatividade. Neste conceito, vou na direção contrária à ideia de usar esses elementos a serviço de estratégias de marketing.

Marketing Sócio-Criativo busca identificar relações de troca sustentáveis entre pessoas, promovendo inovação social na busca de soluções a antigos problemas, trazendo benefícios co-criados pela sociedade para ela mesma. É uma abordagem centrada num ser humano completo, dotado de coração, mente e espírito e parte integrante de uma sociedade criativa e colaborativa baseada em valores culturais diversificados.

Sobre este conceito que surgiu a necessidade de criação deste blog, um espaço para discutir problemas e soluções da sociedade que envolvam cultura e criatividade. Espera-se também que a partir deste debate sejam realizados eventos presenciais para aprofundamento dos assuntos relacionados e troca de experiências relevantes em diversas áreas também relacionadas.

Por fim, declaro-me interessado e disponível para as atividades-fim do IDEAIS, empreendimento pioneiro em Marketing Sócio-Criativo:

- Pesquisa, prospecção e sistematização de dados, informações e conhecimento sobre os assuntos supracitados;

- Realização de debates, fóruns, seminários e encontros profissionais e acadêmicos;

- Consultoria em planejamento de marketing, comunicação e mídia de organizações com alto impacto sócio-cultural e com alto potencial criativo;

- Gestão, construção e posicionamento de marcas com forte apelo social e cultural;

- Consultoria em processos de inteligência de mercado, prospecção, sistematização e formatação de informações estratégicas dessas organizações.

Após um longo (apesar de bem positivo) período de turbulências profissionais, o blog IDEAIS está de volta com força total.

Desfrutem-no!

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Criatividade não é nada mais que o reconhecimento e a imersão na diversidade. É a porta de entrada para tudo que é novo e vem para solucionar problemas antigos de novas maneiras. A criatividade humana é a responsável por libertar o imaginário, produzir novos conhecimentos, ver e interpretar o mesmo fato diversas vezes por diversos ângulos diferentes. A intuição criativa nos faz ousar, arriscar, atrever, aventurar, experimentar, andar por caminhos nunca antes desbravados.

O potencial criativo dos humanos existe mesmo antes de nascermos, nos úteros de nossas mães. Porém, muitos de nós não temos as mesmas oportunidades para desenvolvermos nossa criatividade desde pequenos. Quando temos pais que nos elogiam e incentivam-nos a produzir ideias criativas, tendemos a ser adultos ousados e empreendedores, mas o inverso também é verdadeiro, apesar de não determinante. Quando estamos longe das ameaças temos mais condições de soltar nossa índole criativa. Na sociedade opressiva e competitiva em que vivemos, esse é um desafio diário.

“criatividade é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências, lacunas no conhecimento, desarmonia; identificar a dificuldade, buscar soluções, formulando hipóteses a respeito das deficiências; testar e retestar estas hipóteses; e, finalmente, comunicar os resultados” (Torrance, 1965) .

Criatividade tem tudo a ver com sensibilidade. Criar é dar lógica ao caos e caotizar a lógica racional. É dar sentido às coisas sem sentido e mudar o sentido das coisas já “batidas”. Criar é renovar, é começar algo antigo de novo, sob novas perspectivas. Criar é experimentar coletivamente algo que vem de dentro, que vem da alma. Não creio ser possível ser criativo sem estar apaixonado. A paixão pela vida (ou pela morte) ou por algo que movimenta o instinto criativo é essencial no processo de derrubar paradigmas e construir algo novo.

“Para dar uma oportunidade a nosso potencial criativo, primeiro temos de ser apaixonados por nós mesmos [...] e depois pelo resto [...], independente de ser feio, bonito, simpático, antipático, amigo ou inimigo… Enfim, devemos ser apaixonados pela vida, como fonte de inspiração e objetivo do produto de nossa criatividade. Paixão é mais do que gostar. É encantamento. E você pode encantar-se com algo que abomine, justamente pelo quanto esse algo consegue ser abominável.” Stalimir Vieira.

Na antiguidade, a criatividade era vista como “estado místico de receptividade a algum tipo de mensagem proveniente de entidades divinas.” Pode não estar ligado a Deus (ou como quiser que o chame), mas sem dúvida está ligado a algo transcendental, por uma conexão propulsora de movimentos intensos. “Havia também a concepção que associava a criatividade à loucura, considerando as manifestações criativas como um ato impensado, que serviria de compensação aos desajustes e conflitos inconsciente da pessoa.” (Wikipédia) Loucos são aqueles que não criam, que não criticam o status quo e a razão de viver em sociedade.

Dizem que se pode ser criativo individualmente, mas prefiro acreditar na criatividade coletiva, onde um grupo em sociedade se conecta paralelamente com seu interior e com seu exterior, onde o produto dessas relações é maior que a soma das partes. “O mundo da arte e da cultura é preeminentemente um mundo da criatividade, porque o artista não está diretamente ligado às convenções, dogmas e instituições da sociedade. O artista tem uma expressão criativa que é resultado direto de sua liberdade.” (Wikipédia)

“Criatividade é arma de combate na conquista da sobrevivência dos seres vivos.” “O homem, através de sua criatividade, aperfeiçoa, melhora e inova os fundamentos de sua sobrevivência.” Através da criatividade, o homem faz história, constrói impérios, produz vacinas e acaba com doenças. Há também a possibilidade de se usar criatividade para o mal, mas esse é um caso em que o homem desenvolve métodos para destruir a si mesmo, sem criar algo novo mas apenas destruindo. É a criatividade trabalhando contra ela mesma.

Eis então o terceiro ponto essencial para se chegar ao conceito de Marketing Sócio-Criativo. Criatividade é um pilar essencial para qualquer estratégia de marketing eficaz e sustentável, independente de época, tendências ou da economia. Quando se está aberto à criatividade, qualquer pessoa encontra pontos de benefícios mútuos em uma relação com outra. Um criativo consegue encontrar dentro de si o que mais ninguém no mundo tem e explora isso de forma tão singular que se diferencia dos demais. Isso é posicionamento. Porém, essa criatividade não é perene. Como os músculos, precisa ser usada, bem tratada e fortalecida diariamente. Criatividade é 90% transpiração e 10% inspiração. Não pense que vem como mágica. Não vem em bula de remédio nem em receita de bolo. Cada um tem a sua. Basta encontrá-la. Só uma pessoa no mundo pode encontrar a sua verdadeira fonte criativa. Você pode usá-la para o bem ou para o mal. Pode limitá-la à sua mediocridade ou multiplicá-la aos quatro ventos, em prol da sociedade em que vive. Como quase tudo na vida. É uma questão de escolha.

Pense nisso. Para ajudar na tarefa, veja esse vídeo abaixo. Mário Persona traz um debate interessante sobre o assunto.

Tudo começou com o antropólogo Edward Burnett Tylor, quando desenvolveu o termo para designar “o todo complexo metabiológico criado pelo homem”. (LARAIA, Roque de Barros. Cultura. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006)

Segundo a Wikipédia, “são práticas e ações sociais que seguem um padrão determinado no espaço. Refere-se a crenças, comportamentos, valores, instituições, regras morais que permeiam e identificam uma sociedade. Explica e dá sentido à cosmologia social; é a identidade própria de um grupo humano em um território e num determinado período.”

Também de acordo com o conceito exposto na Wikipédia, na Sociologia cultura é relativa, o que se pode chamar também de relativismo cultural, ou seja, uma crença e/ou atividade humana individual deve ser interpretada em termos relativos e jamais devem ser classificadas de modo absoluto. Deste ponto, podemos discutir também a questão da Diversidade Cultural, que nada mais é que variedade e convivência de idéias, características ou elementos diferentes entre si, em determinado assunto, situação ou ambiente” e engloba engloba “as diferenças culturais que existem entre as pessoas, como a linguagem, danças, vestuário e tradições, bem como a forma como as sociedades organizam-se conforme a sua concepção de moral e de religião, a forma como eles interagem com o ambiente“.

A Unesco, uma das entidades mais respeitadas mundialmente com forte atuação no setor cultural, define cultura como “um conjunto de características distintas espirituais, materiais, intelectuais e afetivas que caracterizam uma sociedade ou grupo social. Abarca, além das artes e das letras, os modos de vida, os sistemas de valores, as tradições e as crenças”. Porém, esse conceito surgiu em 1989 e já não mais representa a evolução que o conceito sofreu nos últimos anos. Entre os aspectos não cobertos por ele está o de mudança (ou transformação) cultural, que considera a cultura como um fenômeno dinâmico, adaptativo e cumulativo. “Traços se perdem, outros se adicionam, em velocidades distintas nas diferentes sociedades”. Este aspecto é essencial para a discussão que teremos aqui sobre “cultura”.

Pretendo, neste blog, dialogar com o conceito de cultura de forma livre e sem paradigmas rígidos, considerando essencialmente os aspectos de diversidade, transformação e identidade cultural, diretamente relacionados a questões territoriais, étnicas, históricas e (por quê não?) econômicas e mercadológicas.

“A Cultura, mais do que nunca, está no coração do verdadeiro desenvolvimento como fator predominante de integração étnica e social e, sobretudo, como processo de transformação da própria sociedade. Deve ser entendida não apenas como progresso material ou formação de recursos humanos, mas como possibilidade de exercício, na sua plenitude, das potencialidades de cada indivíduo.” (trecho de prefácio escrito por Sérgio Mamberti no livro Mercado Cultural, de Leonardo Brant)

Comentem!

Até logo.

Após alguns dias bem atribulados e sem posts, vamos seguir nos conceitos que norteiam este blog. O conceito de hoje é: SOCIEDADE. O que isto tem a ver com Marketing (e vice-versa)?

Como em todos os posts deste blog, o meu propósito não é acadêmico ou teórico e sim prático. Portanto, não cabe aqui a delonga na discussão de conceitos. O que desejo propor a você, leitor, é um recorte de diversos assuntos para guiar um futuro diálogo sobre as ações de marketing sócio-criativo.

Segundo a Wikipédia, “uma sociedade é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade [...] Uma sociedade é uma rede de relacionamentos entre pessoas. [...] A origem da palavra sociedade vem do latim societas, uma “associação amistosa com outros”Societas é derivado de socius, que significa “companheiro”, e assim o significado de sociedade é intimamente relacionado àquilo que é social. Como tal, sociedade é muitas vezes usado como sinônimo para o coletivo de cidadãos de um país governados por instituições nacionais que lidam com o bem-estar cívico.”

Está incluso neste conceito-chave outros conceitos também importantes, como compartilhamento, interação, comunidade, rede, relacionamentos, associação amistosa e bem-estar.

Em compartilhamento, enxergo outros conceitos como colaboração e participação. Por interação, compreendo atuação mútua entre seres (neste caso, seres humanos). Comunidade já traz a relação geográfica, de seres que habitam uma mesma região e convivem entre si. Quando se fala em redes, vamos tratar aqui fundamentalmente de redes sociais (estrutura social composta por pessoas conectadas entre si, seja por que plataforma for), conceito este muito próximo de relacionamentos, forma como essas pessoas se tratam e se comunicam. Há também neste conceito de sociedade a palavra “amistosa“, sinônimo de “amigável”, qualificando o tipo de associação que se faz. Por último, bem-estar, que segundo o Dicionários Houaiss significa “estado de satisfação plena” ou “sensação de segurança, tranquilidade“.

Ora, se em uma sociedade as pessoas compartilham valores, trocam experiências e conhecimentos, conectam-se umas com as outras, relacionam-se e comunicam-se a fim de chegarem a um estado de satisfação plena, segurança e tranquilidade; e se marketing é “a atividade, o conjunto de instituições e processos para criar, comunicar, oferecer e trocar ofertas que tenham valor para consumidores, clientes, parceiros e para a sociedade como um todo”; fica óbvio que os dois conceitos se relacionam diretamente. A diferença é que o marketing deve trabalhar para a sociedade, e não o contrário.

Essa conclusão facilita o entendimento de outros temas, como Responsabilidade Social de empresas; Marketing Social e suas variações (MCS – Marketing para Causas Sociais; MRC – Marketing Relacionado a Causas); Investimento Social Privado; entre outros. Estes assuntos também serão contemplados por mim neste blog. Acompanhe!

Até breve!

A missão e o donut

Qual é o nosso negócio? Quem é o cliente? O que tem valor para o cliente? O que se pretende proporcionar de beneficios aos nossos clientes ? Minha missão deve ser específica ou abrangente? De curto, médio ou longo prazo? Afinal, para que serve uma missão corporativa mesmo?

Essas são algumas das perguntas que envolvem a definição da missão de uma empresa, associação, grupo civil organizado ou até mesmo pessoas. Vamos debater um pouco sobre o assunto, então.

A missão de uma empresa “é a finalidade pela qual todos os esforços da empresa estão direcionados” está descrito na Wikipedia. Segundo Kotler (2006), “boas declarações de missão têm três características principais. Em primeiro lugar, concentram-se em um número limitado de metas. [...] Em segundo lugar, as declarações de missão enfatizam as principais políticas e valores que a empresa pretende honrar. [...] Em terceiro lugar, definem as principais esferas competitivas dentro das quais a empresa operará.” O mesmo autor também diz que “as melhores declarações de missão são aquelas guiadas por uma visão, uma espécie de ‘sonho impossível’ que proporciona à empresa um direcionamento para os próximos 10 a 20 anos”.

Novamente de acordo com Kotler, agora em sua mais nova obra “Marketing 3.0″, Peter Drucker dizia que “empresas bem-sucedidas não começam seu planejamento pelos retornos financeiros. Começam pela realização de sua missão. Os retornos financeiros serão resultado de suas ações.”

Uma missão, no meu entender, jamais pode se limitar a datas ou a segmentos de atuação. Na era da criatividade, os serviços e os segmentos-alvo são muito voláteis e se transformam a todo instante. A razão de ser de uma organização não pode se guiar por aspectos tão etéreos e inconstantes. A missão deve expressar a sua essência, sua força-motriz, o motivo pelo qual a organização existe. Você pode até pensar que sua empresa existe para atuar no ramo automobilístico, por exemplo, mas ela se tornará escrava de um mercado que pode até um dia não existir mais. O mercado passa a ditar como sua empresa deve ser e então perde-se toda a autonomia e, consequentemente, a sustentabilidade.

Em suma, resumo minha visão sobre a missão corporativa pelo seguinte trecho retirado da última obra de Kotler:

“Inspirados por um famoso princípio de Charles Handy, representamos a missão de uma empresa por meio de um donut. O princípio diz, basicamente, que a vida é como um donut invertido, no qual o buraco está do lado de fora e a massa no meio. Na visão da vida do donut, o núcleo é fixo e o espaço a seu redor, flexível. A missão da empresa é o núcleo, que não pode ser modificado. As operações e o escopo de negócios da empresa são flexíveis, mas devem estar alinhadas com o núcleo”. “Enquanto a missão tem suas raízes no passado, quando a empresa foi fundada, a visão tem a ver com a invenção do futuro”.

A missão de uma organização deve: a) proporcionar SATISFAÇÃO; b) Realizar ASPIRAÇÃO; e c) Praticar COMPAIXÃO.

No primeiro post deste blog, eu disse que este espaço seria dedicado à promoção do debate e aprofundamento de conhecimentos  e técnicas de marketing aplicados a questões de SOCIEDADE, CULTURA e CRIATIVIDADE.

Para começar, sugiro alinharmos o conceito que o termo marketing representa atualmente, considerando o contexto e a sociedade em que vivemos, com todos os seus problemas e características.

Antes, precisamos definir a perspectiva pela qual enxergaremos o marketing: a acadêmica ou a empresarial. Pois se for pela perspectiva acadêmica, podemos chamar de marketing o estudo do mercado, ou seja, uma ferramenta administrativa que possibilita a observação de tendências e a criação de novas oportunidades de consumo para organizações e pessoas diversas. (FRAGA,  2006). Já se optarmos pela segunda perspectiva, o aspecto “tempo” vai definir que conceito de marketing era mais utilizado.

Por exemplo, no período da Revolução Industrial o marketing era inseparável da economia e da administração clássica, preocupando-se quase que exclusivamente de logística e produtividade, com o intuito de maximização dos lucros. Os consumidores não tinham qualquer poder de barganha e a concorrência era praticamente inexistente. (texto retirado e adaptado de página da wikipedia)

Em um período seguinte, com as forças propulsoras da Tecnologia da Informação, as empresas começaram a enxergar nos consumidores pessoas inteligentes, dotados de coração e mente. Essa percepção ocorria paralelamente ao lançamento de milhares novos produtos e serviços no mercado e o principal objetivo dos departamentos de marketing era diferenciar os produtos de suas empresas através de um posicionamento mercadológico e uma promessa de marca únicos. (KOTLER, 2010)

Atualmente existem autores que defendem uma visão mais holística do marketing, como Philip Kotler em seu novo livro, lançado recentemente, “Marketing 3.0“. Na obra, o autor defende essa nova abordagem, que vê o consumidor como um ser humano pleno, com coração mente e espírito. As organizações passam a diferenciar seus produtos e serviços pelos valores de suas marcas, que são funcionais, emocionais e espirituais. Nessa perspectiva, o consumidor ocupa um novo papel nas estratégias de marketing: o de co-criador e fonte dos conceitos-chave dos posicionamentos das marcas mais duradouras. (KOTLER, 2010)

Até mesmo a American Marketing Association (AMA) já mudou diversas vezes seu conceito de marketing nos últimos anos. Kotler e Keller, Administração de Marketing, citavam-no como “o processo de planejar e executar a concepção, a determinação do preço (pricing), a promoção e a distribuição de idéias, bens e serviços para criar trocas que satisfaçam metas individuais e organizacionais”. Em 2005, o conceito já passou a ser definido como “função organizacional e um conjunto de processos que envolvem a criação, a comunicação e a entrega de valor para os clientes, bem como a administração do relacionamento com eles, de modo que beneficie a organização e seu público interessado”. Finalmente, em 2008, a AMA divulgou sua nova e atual definição de marketing: “a atividade, conjunto de instituições e processos para criar, comunicar, oferecer e trocar ofertas que tenham valor para consumidores, clientes, parceiros e para a sociedade como um todo.”

Percebe-se nesta última definição a inclusão do termo sociedade, onde finalmente questões sociais são reconhecidas como objetos de estudo e ação do marketing, que pode e deve ser amplamente usado para também “trocar” ideias, programas sociais e valores intangíveis, como a cultura e a criatividade. É, portanto, a partir desta definição que este blog guiará as próximas discussões.

Fique à vontade para comentar os conceitos descritos aqui e dizer qual é a SUA visão do marketing.

Assista abaixo o que Flávio Ferrari, CEO do IBOPE Media Information América Latina, entende como marketing:

Olá Prezados,

Não costumo postar esse tipo de informação, mas nesse momento é super importante que eu faça essa divulgação. Vamos trazer bons cursos como esse para Brasília, pessoal! Só depende de você procurar a Mirella Malta (contatos abaixo) e confirmar presença!

ATENÇÃO!!!

Venho por este post divulgar um curso que recomendo fortemente. A professora Ana Carla Fonseca Reis é referência no assunto Economia Criativa, vem dando palestras e cursos no mundo inteiro, é autora do livro Marketing Cultural e Financiamento da Cultura, sócia-fundadora da Garimpo de Soluções e atualmente é especialista em Cidades Criativas.

Então, se vocês tiverem interesse no curso, entre em contato imediato com a Mirella Malta, organizadora do curso, pelo email mirellamalta@globo.com Confirme sua presença! Divulguem também!!!

Aqui está uma entrevista interessante da Ana Carla sobre economia desenvolvimento e distribuição cultura:

Por fim, aqui está a última entrevista dela na GloboNews sobre Economia Criativa: http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1589840-17665-305,00.html

Abaixo está todo o programa do curso e o currículo da Ana Carla:

Quando: 26.05.2010 – 14.00 h – 22.00 h

Onde: Centro de Estudos da UNACON – Brasília (Endereço no final do email)

Objetivos:

1) Familiarizar o aluno com os conceitos de economia da cultura, economia criativa e desenvolvimento socioeconômico.

2)  Oferecer um breve panorama histórico das relações entre economia e cultura e seus diálogos com a situação presente.

3)   Introduzir a noção de fluxos econômicos dos bens e serviços culturais e seus traços específicos.

4)    Discutir os estrangulamentos nos fluxos de produção, distribuição e demanda, no Brasil e no mundo e as formas adotadas para corrigir falhas de mercado.

5)      Promover a visão de cultura como vetor de desenvolvimento socioeconômico.

6)  Debater as condições necessárias para que essa estratégia se concretize.

Conteúdo programático:

1. Harmonização de conceitos: economia, cultura, desenvolvimento

2. História da economia da cultura

3. Aplicação e revisão de conceitos econômicos na esfera cultural

4. Fluxo de valor x preço

5. Produção

a. Agentes produtores e emprego cultural

b. Estudos de impacto econômico

6. Mercado

a. Concentração e canais alternativos de distribuição

b. Equipamentos culturais

7. Demanda

a. Estudos de hábitos e atitudes

b. Estudos de consumo domiciliar

8. Instrumentos de regulação e intervenção

a. Diretos

b. Indiretos

9. Economia criativa

a. Conceitos

b. Casos

c. Direitos de propriedade intelectual

10. Cidades criativas

a. Conceitos

b. Características

c. Casos

Facilitadora: Ana Carla Fonseca Reis – Administradora Pública pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo; Economista, Mestre cum laude em Administração de Empresas e Doutoranda em Urbanismo pela Universidade de São Paulo, sócia-diretora da Garimpo de Soluções – economia, cultura & desenvolvimento, consultora e conferencista internacional em cinco línguas, tendo palestrado em 17 países e em todos os Estados brasileiros. Assessora em economia criativa para a ONU (UNCTAD e PNUD), curadora de congressos nacionais (e.g. ExpoGestão, AgroGestão) e internacionais de primeira linha, é consultora em economia criativa, posicionamento de marca e desenvolvimento para empresas privadas, órgãos públicos e instituições sem fins lucrativos. Sob o cunho administrativo, é coautora de Teorias de Gestão – de Taylor a nossos dias (Thomson, 1997) e de Fundamentos da Administração (Thomson, 2010). No setor criativo, destacam suas autorias de Marketing Cultural e Financiamento da Cultura (Cengage, 2002) e Economia da Cultura e Desenvolvimento Sustentável (Manole, 2006 – Prêmio Jabuti 2007 em Economia, Administração e Negócios). Concebeu, organizou e coeditou a antologia digital trilíngue Economia Criativa como Estratégia de Desenvolvimento (2008) e a antologia Creative City Perspectives (2009, congregando 18 autores de 13 países), além de ter coorganizado Economia da Cultura – ideias e vivências (2009). Foi consultora para a América Latina e o Caribe para o Creative Economy Report 2008, primeiro relatório global sobre o tema (UNCTAD, 2008), além de ter participado e/ou coordenado vários relatórios e reuniões internacionais da ONU, nas Américas, África, Ásia e Europa. É professora do MBA em Bens Culturais da Fundação Getulio Vargas (SP), coordenadora temática e professora do Curso de Extensão em Economia da Cultura da Universidade Candido Mendes (RJ), membro da Associação Internacional de Economia da Cultura (ACEI) e da Associação Internacional de Desenvolvimento Urbano (INTA).

Data: 26 de maio de 2010, das 14 às 22h.

Local: Centro de Estudos da UNACON, SCS Quadra 8, Bloco B50 , 4º. Andar. Edifício Venâncio 2000 (ao lado do Pátio Brasil). Brasília/DF.

Investimento: R$ 250 (dividido em duas vezes no cheque ou cartão) e R$ 220 para pagamento à vista.

Informações: Mirella Malta – Assessoria e Capacitação em Gestão Social, Cultural e do Terceiro Setor

Telefone: 61 9273-9002 / E-mail: mirellamalta@globo.com / www.mirellamalta.com.br

Conexão: um conceito-chave

A conexão é, sem dúvida, um conceito-chave para alcançarmos o desenvolvimento sustentável que tanto prometemos em nossas vidas. A conexão é essencial para que o resultado de nossos esforços seja maior que a soma dos esforços individuais. A conexão traz o conceito de coletividade, de colaboração, de sócio-criatividade.

A Incubadora de Arte e Cultura da Universidade de Brasília é um exemplo de iniciativa que vem funcionando com esse propósito, dentro da área de seu domínio que é a Arte e a Cultura.

Então? Vamos nos conectar?

Dê seu palpite!

O início de novos IDEAIS

O blog IDEAIS Marketing Sócio-Criativo surgiu de uma necessidade de integrar técnicas, conhecimentos e ferramentas de Marketing ao Terceiro Setor, à Economia da Cultura, à Economia Criativa e à Economia Solidária, além de assuntos relacionados a Responsabilidade Corporativa, Turismo Cultural e ao conceito ainda recente de Cidades Criativas. Este espaço existe, portanto, para viabilizar debates e aprofundamento de conhecimentos de marketing aplicados a questões de SOCIEDADE, CULTURA e CRIATIVIDADE. Estes conceitos serão aprofundados nos próximos posts.

Minha intenção aqui é dialogar com profissionais e estudantes dos segmentos culturais, sociais, terceiro setor, marketing, turismo, gestão, políticas públicas, urbanismo, design e publicitários, a fim de produzir maior conhecimento sobre soluções criativas e economicamente interessantes para os mais diversos problemas que atingem a sociedade atual, sempre baseadas no conceito de desenvolvimento sustentável (econômico, ambiental, social e cultural).

Os principais assuntos a serem abordados neste blog são:

- Marketing Social e Cultural;

- Responsabilidade Social, Ambiental e Cultural de empresas;

- Marketing para o Terceiro Setor;

- Captação de Recursos para Projetos Sociais e Culturais;

- Turismo Cultural e Gastronômico;

- Cidades Criativas;

- Gestão, Construção e Posicionamento de Marcas (Branding) com forte apelo social e cultural;

Por fins didáticos, os posts serão classificados de três formas: a) Opinião, onde expressarei opiniões pessoais sobre os assuntos supracitados e convidarei especialistas para contribuir com suas opiniões; b) Resenhas, onde farei sugestão de leituras, filmes e outras obras que versam de alguma maneira sobre esses assuntos, além de uma breve biografia dos autores e opinião pessoal; e c) Notícias, onde irei incluir reportagens, artigos ou entrevistas a que tive acesso e sobre as quais possuo algo de relevante para comentar.

A participação do leitor é muito importante para o sucesso dessa iniciativa. Não deixe de acompanhar e comentar sempre que quiser. Este espaço existe para que pessoas do mundo inteiro compartilhem suas soluções para buscar um mundo ideal. Nossos IDEAIS devem servir de referência para chegarmos onde queremos. Se enxergamos longe, há maior probabilidade de melhorarmos a realidade.

Até a próxima!